Na maioria das cidades brasileiras acorda-se bem cedo; o sol ainda nem saiu e a noite está se preparando para ir embora. É exatamente neste momento que a maioria das pessoas acordam. Algumas acordam para namorar e voltar a dormir, outras acordam para acordar a outros que terão um longo dia pela frente, outros acordam para cuidar de pessoas que dormem e que não se movimentam mais da forma como gostariam, há ainda aqueles que acordam ‘para não fazer nada’ estes digo eu são privilegiados(as) por uma rotina que lhes dão naquele exato momento o direito de gozar o merecido descanso acordado, porém, sem ter a necessidade de ficar com um olho no relógio e outro nos afazeres. Não posso de deixar de falar das inúmeras pessoas que preparam a bagunça que outros fizeram, neste momento me vem à memória os empregados(as) domésticas, camareiros(as); faxineiros(as); Garis e Margaridas; pedreiros, serventes, carpinteiros, elétricas e tantos outros que geram força para que não vivamos no escuro. Não poderei deixar de fora dessa grande lista os educadores de forma geral - grande amigos e amigas de profissão que com sua habilidade de ensinar, coloca no trilho a locomotiva e os vagões que conduzem o sonho, seja este de uma única pessoa ou de uma família que investi tudo o que tem para que aquele membro da família conclua a sua formação e alce vôos maiores e melhores. Tem também aqueles(as) que curam ou mantém a saúde coletiva em dia, a estes, vou chamá-los de profissionais da área da saúde, área em que também faço parte e sei que a cada acordar, chega em nossos espaços pessoas que só desejam ser curadas e ouvidas com uma única certeza de serem identificadas como pessoas que tem nome, idade, sexo, endereço, Rg e Cpf; mas que no raso, na superfície visível em que elas revelam querem mesmo ser reconhecidas como alguém de muito valor e desejam ser tratadas com muito amor.
Notou que acordar não é uma tarefa fácil? Requer uma habilidade que parece não estar disponível quando não desejamos ver a realidade a nossa volta. Requer tato e contato, conosco ou como eu digo em tom de brincadeira nas rodas de amigos(as), comigo, contigo e com os outros. Sendo desta forma, eu quero lançar outro fundamento para continuarmos pensando juntos e o fundamento é este: Quando é que a gente acorda para o relacionamento pessoal e interpessoal? A resposta a esta pergunta nos leva a um despertamento que se faz necessário se desejamos de fato crescer, em estatura e sabedoria. Acredito que acordamos quando encaramos de frente a realidade, a qualidade e resultado que obtemos a cada encontro e desencontro. De minha parte, sinto que tenho despertado na medida em que me permito ver o óbvio e não o imaginário. Tenho despertado, as vezes, com sustos ou melhor dizendo em susto - mas decidi que é melhor assustar do que fantasiar e tentar esconder aquilo que não cabe na palma da mão e nem na existência humana, a saber: A falsa impressão do perfeito que está imperfeito e incorreto para os padrões comportamentais que apontam para a boa convivência.
Este acordar ainda requer que bem cedo, como falei no início do texto “Na maioria das cidades brasileiras acorda-se bem cedo;... .” todos (Homens e Mulheres) decidam viver acordados e definitivamente prontos para enfrentar as adversidades e as animosidades que surgirão; isso porque só está preparado para enfrentar o dia quem despertou com a coragem de nunca mais dormir no momento errado ou da maneira errada.
Ame acordar respondendo a pergunta: Quando é que a gente acorda? Porque certamente ela te mostrará que é convidativo responder enquanto se vive, porque depois que morto ou de ter morrido tudo dentro de você ou em sua volta, já é tempo passado ou melhor dizendo perdido. Pense Nisso e viva disposto(a) à fazer a vida valer a pena.
Valdinei Arruda.
